Sede de comer esse sol,
o calor,
um menino,
e bem mais,
"o messias",
meu homem,
e bem mais,
a estrada,
todo o gozo,
serpente,
serpentina,
e bem mais,
o sorvete,
o boquete,
e bem mais,
gota a gota
dessa vida
inesgotável.
21/12/2009
Casamento
Isso tudo
é só
hábito.
Não há cola que nos cole.
Não há goma, não há junta,
chiclete,
grude,
argamassa.
Há
um desejo
que ao vento
despedaça.
Mas podemos seguir juntos.
Um fim que fique
como está.
E este vento, querido,
vento fresco,
é meu forte,
é meu elo,
meu desejo por um outro fulano lá.
é só
hábito.
Não há cola que nos cole.
Não há goma, não há junta,
chiclete,
grude,
argamassa.
Há
um desejo
que ao vento
despedaça.
Mas podemos seguir juntos.
Um fim que fique
como está.
E este vento, querido,
vento fresco,
é meu forte,
é meu elo,
meu desejo por um outro fulano lá.
17/12/2009
coletânea - mal dos tempos
A pressa é inimiga do amor.
"Depressão é o que dá em quem vai depressa demais". 1
"Amor é tudo o que move". 2
Na pressa, não há comoção.
1 - Millôr Fernandes
2 - Gilberto Gil
"Depressão é o que dá em quem vai depressa demais". 1
"Amor é tudo o que move". 2
Na pressa, não há comoção.
1 - Millôr Fernandes
2 - Gilberto Gil
olhando quem entrou pela porta e não está
Acordo e olho pra ele e ele não está. Entrou e saiu. Voltou e não vem mais.
Parei. Engoli.
Vou chorar,
E correr mundo,
Correr, ver, colher, admirar.
Me estender, ampliar.
Olho e vejo ele e ele não está.
Parei, engoli.
Olho, e vejo, mas agora eu já
parti.
Parei. Engoli.
Vou chorar,
E correr mundo,
Correr, ver, colher, admirar.
Me estender, ampliar.
Olho e vejo ele e ele não está.
Parei, engoli.
Olho, e vejo, mas agora eu já
parti.
23/11/2009
20/11/2009
depósito de amor
um tigre que lambe
uma cauda feliz que nos abana.
bicho que se deita.
amor meu
alento e
alegria meu
animal.
uma cauda feliz que nos abana.
bicho que se deita.
amor meu
alento e
alegria meu
animal.
19/11/2009
a ela
Cai a máscara
cai o orgulho
cai no chão.
Sobe à terra o novo
e o bom;
cai no chão o orgulho e a prepotência.
Sai de mim o suor
sai do chão a terra e a saúde.
A vivência. Nos socorre.
Agora vivemos mais em paz.
cai o orgulho
cai no chão.
Sobe à terra o novo
e o bom;
cai no chão o orgulho e a prepotência.
Sai de mim o suor
sai do chão a terra e a saúde.
A vivência. Nos socorre.
Agora vivemos mais em paz.
11/11/2009
Bom dia
Acordo e sinto minha sensibilidade subir das unhas aos fios do meu cabelo e às extremidades das orelhas; os sonhos na palma das pálpebras, na memória que olha pro mundo.
Tenho vontade de lamber a vida. Gentil, pueril, delicada.
Sinto.
De modo que não quero ver qualquer pessoa na minha frente agora.
Consigo também ser chata. Grossa, circunspecta. Remelenta e seletiva. Não quero qualquer um.
Nem ela, nem ele.
Só quero quem queira meu amor. É forte: quero amar. É forte.
03/11/09
E se eu nem sei mais escrever minha tristeza? E se agora minha escrita já não me alcança? Então é porque nunca alcançou. E se já não expresso, já não exprimo, já não compartilho?
Minhas tristezas mais raras e mais vividas.
Sinto, me sinto doer, sinto, choro, vivo. Mas sair de mim que é bom já não sei mais fazer.
Sinto, vivo, choro, "doo" - de doer. E fico com isso sentindo e vivendo, sem mais espaço pra eu saber me colocar.
Sofro isso e isso é vivo. Vivo isso.
Agora já quero deitar. Não sei mais deixar de sentir.
24/10/2009
esboço
Pra saudade.
Já começou a pular, saudade. Tá começando a saltitar.
Parte daqui agora, pula pro lado direito, pula pra daqui a pouco.
Durante a viagem inteira vai me atormentar.
Ou, se a viagem for feliz, vai me nutrir.
Já começou a pular, saudade. Tá começando a saltitar.
Parte daqui agora, pula pro lado direito, pula pra daqui a pouco.
Durante a viagem inteira vai me atormentar.
Ou, se a viagem for feliz, vai me nutrir.
21/10/2009
22/09/2009
embasbacada

Sagração da Primavera, Pina Bausch,
Tanztheater Wuppertal.
Umas das coisas mais bonitas que já vi. Lindo, de não consigo descrever.
Só corpo, forma, o mais primitivo, que agora com a técnica mais apurada passa a existir de novo. E é assim, e existe: resumo de movimento, de vida, de gozo.
Puro gozo em imagem. Imagem que não é pura – por isso o gozo – movimento, respiração, historia, individualidade, esforço, paixão, paixões e todo a rede complexa de trabalho e prazer que as envolve e estimula.
Muita coisa no mais simples que temos: corpo. Braços, pernas, cabelo, junto com tudo o que você pode contar e ser entendido sem ter que abrir a boca nenhuma vez. O corpo deles é o corpo meu. Não tenho a capacidade, mas. Mas é o mesmo corpo. Somos nós ali.
Humano humano, humano humano.
19/09/2009
sincronicidade... :)
"o princípio da causalidade nos afirma que a conexão entre a causa e o efeito é uma conexão necessária. O princípio da sincronicidade nos afirma que os termos de uma coincidência significativa são ligados pela simultaneidade e pelo significado."
"a coincidência dos acontecimentos, no espaço e no tempo, significa algo mais que mero acaso, precisamente uma peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como dos estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores."
"... coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo.”
"O momento concretamente observado apresenta-se à antiga visão chinesa, mais como um acontecimento fortuito que o resultado claramente definido de um concordante processo causal em cadeia. A questão que interessa parece ser a configuração formada por eventos casuais no momento da observação e de modo nenhum as hipotéticas razões que aparentemente justificam a coincidência. Enquanto a mente ocidental cuidadosamente examina, pesa, seleciona, classifica e isola, a visão chinesa do momento inclui tudo até o menor e mais absurdo detalhe, pois tudo compõe o momento observado."
"O pensamento tradicional chinês apreende o cosmos de um modo semelhante ao do físico moderno, que não pode negar que seu modelo do mundo é uma estrutura decididamente psicofísica. O fato microfísico inclui o observador tanto quanto [...] as condições psíquicas [se encontram] dentro da totalidade da situação momentânea. Assim como a causalidade descreve a seqüência dos acontecimentos, a sincronicidade, para a mente chinesa, lida com a coincidência de eventos."
"Se um punhado de fósforos é jogado no chão, eles formam o padrão característico daquele momento. Porém, uma verdade tão óbvia como essa só revela seu caráter significativo se for possível ler o padrão e verificar sua interpretação, em parte pelo conhecimento, do observador, da situação objetiva e da subjetiva e, em parte, pelo caráter dos fatos subsequentes."
C. G. Jung
"a coincidência dos acontecimentos, no espaço e no tempo, significa algo mais que mero acaso, precisamente uma peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como dos estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores."
"... coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo.”
"O momento concretamente observado apresenta-se à antiga visão chinesa, mais como um acontecimento fortuito que o resultado claramente definido de um concordante processo causal em cadeia. A questão que interessa parece ser a configuração formada por eventos casuais no momento da observação e de modo nenhum as hipotéticas razões que aparentemente justificam a coincidência. Enquanto a mente ocidental cuidadosamente examina, pesa, seleciona, classifica e isola, a visão chinesa do momento inclui tudo até o menor e mais absurdo detalhe, pois tudo compõe o momento observado."
"O pensamento tradicional chinês apreende o cosmos de um modo semelhante ao do físico moderno, que não pode negar que seu modelo do mundo é uma estrutura decididamente psicofísica. O fato microfísico inclui o observador tanto quanto [...] as condições psíquicas [se encontram] dentro da totalidade da situação momentânea. Assim como a causalidade descreve a seqüência dos acontecimentos, a sincronicidade, para a mente chinesa, lida com a coincidência de eventos."
"Se um punhado de fósforos é jogado no chão, eles formam o padrão característico daquele momento. Porém, uma verdade tão óbvia como essa só revela seu caráter significativo se for possível ler o padrão e verificar sua interpretação, em parte pelo conhecimento, do observador, da situação objetiva e da subjetiva e, em parte, pelo caráter dos fatos subsequentes."
C. G. Jung
04/09/2009
23/08/2009
Noves fora, dantes.
Novos segredos agora. A linha da rua seguiu no meu pensamento e não vai chegar até a tela. Páro antes da verdade. Do já, do agora, eu to presa no que foi, presa no que foi. E se concentra aqui, sobre minha barriga. Por isso foi. Mas sinto aqui. Acúmulo de tempo de agora, eu tô presa no agora.
Lentidão de ser depois.
Novos segredos agora. A linha da rua seguiu no meu pensamento e não vai chegar até a tela. Páro antes da verdade. Do já, do agora, eu to presa no que foi, presa no que foi. E se concentra aqui, sobre minha barriga. Por isso foi. Mas sinto aqui. Acúmulo de tempo de agora, eu tô presa no agora.
Lentidão de ser depois.
22/08/2009
são paulo s.a.
Sensação de amor e saudade.
De amor bom, vivido. De amores perto, reais. (Reais e jájá). Reais e quero mudar, viver aqui. Reais e amo, reais e cá. E cá. Agora cá.
Real também é que eu não sei escrever sobre isso que acho que não é pra escrever mesmo.
De amor bom, vivido. De amores perto, reais. (Reais e jájá). Reais e quero mudar, viver aqui. Reais e amo, reais e cá. E cá. Agora cá.
Real também é que eu não sei escrever sobre isso que acho que não é pra escrever mesmo.
13/08/2009
é fome.
porque é muito difícil que venha qualquer coisa pairando e entre por essa janela. fenestrar.
muito difícil, então devo mesmo correr por aí, pela rua, pela calle, e ver o que acontece entre um táxi preto e amarelo e outro.
entre um táxi preto e amarelo e outro só amarelo, de listra azul.
muito difícil fenestrar.
então corro mesmo, e Ai da balada se não estiver aberta. Ai de mim porque a balada está fechada.
E ai da rua, em mim, e ai da casa de janela grande que não adianta porque não vai entrar.
ai do dia de amanhã e de todos os outros dias, porque eba, sem ais, de certo eu vou devorá-los.
porque é muito difícil que venha qualquer coisa pairando e entre por essa janela. fenestrar.
muito difícil, então devo mesmo correr por aí, pela rua, pela calle, e ver o que acontece entre um táxi preto e amarelo e outro.
entre um táxi preto e amarelo e outro só amarelo, de listra azul.
muito difícil fenestrar.
então corro mesmo, e Ai da balada se não estiver aberta. Ai de mim porque a balada está fechada.
E ai da rua, em mim, e ai da casa de janela grande que não adianta porque não vai entrar.
ai do dia de amanhã e de todos os outros dias, porque eba, sem ais, de certo eu vou devorá-los.
12/08/2009
09/08/2009
caderninho de viagem
vou escrever um pouco no blog sobre a viagem...
pouca coisa, viagem curta, escrita curta!
Terra dos gaúchos. (aeroporto de porto alegre, 10/08/09)
Terra dos gaúchos. (aeroporto de porto alegre, 10/08/09)
A primeira coisa que sinto é saudade e a segunda,ao mesmo tempo, é um ânimo, encantamento. Rápido e eficaz. Já amo e já quero viver muito, durante esses dias, sem ponderância ou abstenções.
...

mas choveu potes!!!
bueno, apesar da chuva, a oficina de dança e tmb conhecer a gauchada foi bem legal...
(valeu Quelita, anfitriã!)

próximo passo.. era pra ser o Chile...
24/07/2009
15/07/2009
deslocar
ali
o que não estou.
e quero
(logo)
(longe)
quero
cá.
mas
ali
já estou,
e sobe as paredes do esôfago coração,
eu sou
aqui cá
o que já
muito mutíssimo
o que já
sou:
muito
aquilo
ali
onde não estou.
26/06/2009
16/06/2009
gato escaldado
gato escaldado
atrás do que
desconhece
gato atrás da vontade.
sem temer água fria,
só fareja
novidade
oculta e rica.
mas não sei se isto
explica
morar sob
a tempestade.
atrás do que
desconhece
gato atrás da vontade.
sem temer água fria,
só fareja
novidade
oculta e rica.
mas não sei se isto
explica
morar sob
a tempestade.
10/06/2009
31/05/2009
amar

Não sei o vento que me bate,
na cara.
Ou levanto
ou me resiste,
E não sei em que sentido.
De cima pra baixo
ou contra meu grito.
Não sei em qual abismo
estou voando.
(imagem: http://leitedevaca.com/aprenda-a-nao-caia.htm)
28/05/2009
23/05/2009
linha de pensamento
nos conhecemos
pelo avesso
exposto.
(isto sim
é sedução.)
e em seguida
o anti-avesso:
reverso.
pele mascarada
por minhas tripas
feias,
o não.
ridículo, nu.
eu vou soterrar
só pra isso emergir
sem que eu quisesse
mas agora esqueço.
aqui
minhas tripas,
aqui estou.
e até acho
que elas são
bonitas
são pele rosto
olhos dedos
porque
você
sem luvas
vem e
sutura
depois nos amamos,
te me
vejo.
por todos os meus e seus versos
te me aqueço.
pelo avesso
exposto.
(isto sim
é sedução.)
e em seguida
o anti-avesso:
reverso.
pele mascarada
por minhas tripas
feias,
o não.
ridículo, nu.
eu vou soterrar
só pra isso emergir
sem que eu quisesse
mas agora esqueço.
aqui
minhas tripas,
aqui estou.
e até acho
que elas são
bonitas
são pele rosto
olhos dedos
porque
você
sem luvas
vem e
sutura
depois nos amamos,
te me
vejo.
por todos os meus e seus versos
te me aqueço.
22/05/2009
20/05/2009
Milton Nacimento
"...Da sombra eu tiro o meu sol
e do fio da canção
amarro essa certeza
de saber que cada passo
não é fuga nem defesa
não é ferrugem no aço
É uma outra beleza
feita de talho e de corte
e a dor que agora traz
a ponta de pontar o norte
crava no chão a paz
sem a qual é fraco o forte
e a calmaria é engano."
(trecho de Canto Latino)
15/05/2009
Besterologia VI
lema do abandonado:
tesão dá e passa
paixão dói e passa.
lema do amante acolhido:
a paixão não rechaça
o tesão que me assa.
tesão dá e passa
paixão dói e passa.
lema do amante acolhido:
a paixão não rechaça
o tesão que me assa.
12/05/2009
11/05/2009
10/05/2009
brega II
abre porta
abre mundo
abre o mundo à porta
abre sua cama seus braços
meu chão.
abre minha cidade e meu dia,
meu amor cafona,
meu peito doído,
paixão.
abre mundo
abre o mundo à porta
abre sua cama seus braços
meu chão.
abre minha cidade e meu dia,
meu amor cafona,
meu peito doído,
paixão.
01/05/2009
22/04/2009
o amor no rio de janeiro
quero ver o céu da boca de um passista libertário
quero ver o fel da cova de um fascista anistiado
quero ver o véu da touca de um artista entocado
quero ver o céu da boca
de um turista enebriado
quero ver o sol ferver num cafofo elameado
quero ver o o céu verter num sufoco acelerado
quero ter o meu querer e um caboclo entusiasmado.
quero ver o fel da cova de um fascista anistiado
quero ver o véu da touca de um artista entocado
quero ver o céu da boca
de um turista enebriado
quero ver o sol ferver num cafofo elameado
quero ver o o céu verter num sufoco acelerado
quero ter o meu querer e um caboclo entusiasmado.
RELIGARE
Tampo meus ouvidos com um rock brasileiro, consumo de notas histéricas, de uma guitarra rachada, qualquer coisa que me sacie um pouco - mas isto não faz. Coisa que me acoberte o mínimo.
Apenas QUERO.
E escrevo. Tarefa de sincronizar o que sinto com o pensamento e o pensamento com a velocidade da escrita.
(uma caneta melhor me ajudaria a sentir).
Não suporto o que sinto penso, e assim a coisa toda pára no ar. Não se realiza, e eu existo pouco.
(desço do ônibus)
Queria ser uma garota baixa, de pele parda, cabelo alisado, marca de antigas espinhas; jeans e e uma camiseta de moda da novela (das 7), justa contra a minha barriga e as dobras da minha barriga.
Pra que ninguém me olhasse. (e nunca falariam em inglês comigo, "téxi, téxi").
Andaria desapercebida, oculta, só, livre.
Caminho rápido pensando assim. Nenhum taxista me olha, não me chamam. Ninguém me oferece uma van pra Macaé, Macaé. Cabo frio, Búzios. Entro direto na rodoviária, inédito.
Acho que sou aquela garota.
E outra vez: rock. A escrita. O mínimo. Pra que eu sinta o poço fundo do meu desejo. (sou grata aos chavões)
Apenas QUERO.
E escrevo. Tarefa de sincronizar o que sinto com o pensamento e o pensamento com a velocidade da escrita.
(uma caneta melhor me ajudaria a sentir).
Não suporto o que sinto penso, e assim a coisa toda pára no ar. Não se realiza, e eu existo pouco.
(desço do ônibus)
Queria ser uma garota baixa, de pele parda, cabelo alisado, marca de antigas espinhas; jeans e e uma camiseta de moda da novela (das 7), justa contra a minha barriga e as dobras da minha barriga.
Pra que ninguém me olhasse. (e nunca falariam em inglês comigo, "téxi, téxi").
Andaria desapercebida, oculta, só, livre.
Caminho rápido pensando assim. Nenhum taxista me olha, não me chamam. Ninguém me oferece uma van pra Macaé, Macaé. Cabo frio, Búzios. Entro direto na rodoviária, inédito.
Acho que sou aquela garota.
E outra vez: rock. A escrita. O mínimo. Pra que eu sinta o poço fundo do meu desejo. (sou grata aos chavões)
13/04/2009
ânsia
Preciso viver um pulo. Com rapidez, com mergulho, e fundo, e rápido, mais rápido do que já fui. Mais rápido do que tudo o que passa, o que já passou. Mais rápido do que antes. Porque dentro. E até mesmo impensável.
01/04/2009
Duplo-vínculo
Um sereno amargo
Cabreúva faz sombra, a arara gorgoleja, a quase-dúvida sobrevoa
Vou certo,
porém reto.
Outra coisa me quer
(imitando Rimbaud que “é pensado”,
eu “sou querida”, por algo que está dentro de mim)
E até
Dói.
(Não quero escrever,
E já escrevi.)
Cabreúva faz sombra, a arara gorgoleja, a quase-dúvida sobrevoa
Vou certo,
porém reto.
Outra coisa me quer
(imitando Rimbaud que “é pensado”,
eu “sou querida”, por algo que está dentro de mim)
E até
Dói.
(Não quero escrever,
E já escrevi.)
26/03/2009
PC - crônica do Antônio Prata
08.03.09
Seção: Crônica do Guia do Estado de São Paulo, 19:17:36.
O politicamente incorreto está na moda nos meios de comunicação. (Fora deles, não, pois não pode estar na moda o que nunca caiu em desuso). Colunistas, jornalistas e blogueiros enchem o peito e, como se fossem os paladinos da liberdade de expressão, desancam os movimentos sociais, o feminismo, maio de 68, os quilombolas, os índios e tudo mais que tiver um ar de correção política ou cheire a idéias de esquerda. Tá legal, eu aceito os argumentos, mas não levantem as vozes tanto assim: não há ousadia nenhuma em ser politicamente incorreto no Brasil; aqui, a realidade já o é.
Imagine uma escola religiosa na Dinamarca. Flores nas janelas, cheiro de lavanda no ar, vinte alunos loiros, com cristo no coração e leite A correndo pelas veias, respondendo a uma chamada oral sobre o Pequeno Príncipe. Ali, o garoto que se levantar e cuspir no chão será ousado. Mostrará que a despeito do aroma de lavanda, o ser humano é áspero, é contraditório, é violento. Quando a realidade fica muito Saint-Exupéry, é importante que surjam uns Sex Pistols para equilibrar. Agora, cuspir no chão de uma escola municipal em São Paulo, diante da professora assustada que não consegue fazer com que os alunos, analfabetos aos dez anos, fiquem quietos, não tem nenhuma valentia. Quando a realidade da polis é o caos, o som e a fúria são a correção política.
O sarcasmo dirigido aos intelectuais de esquerda seria audaz e iconoclasta caso o Brasil tivesse vivido de 37 a 45 e de 64 a 85 sob as ditaduras de Antonio Candido e Paulo Freire. Se antropólogos de pochete e índios com camisa do Flamengo estivessem ameaçando o agronegócio, devastando lavouras de soja para plantar urucum e cabaça para fazer berimbau. Se durante o carnaval as feministas pusessem no lugar da Globeleza drops de filosofia com Marilena Chauí e Susan Sontag. Se a guitarra elétrica fosse banida da MPB pela banda de pífanos de Caruaru. Do jeito que as coisas são, contudo, o neoconservadorismo faz sucesso não porque choca a burguesia, ao cuspir no solo de onde brotam seus nobres valores, mas porque assina embaixo da barbárie vigente - e ri dela.
Nos EUA, o politicamente correto está tão entranhado nas relações que eles até o chamam pelo apelido: PC. Aqui, as duas letras ainda nos remetem ao tesoureiro do Collor, o ex-presidente que caiu após escândalos de corrupção e apareceu na capa dos jornais essa semana depois de ser eleito para chefiar uma comissão no senado. Enquanto não substituirmos um PC pelo outro, em nosso imaginário e nas manchetes, quem quiser cuspir no chão pode continuar cuspindo, mas deixe de lado esse tom varonil de quem está pegando touro à unha, quando não faz mais do que chutar cachorro morto.
.......
saiu daqui: http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata
Seção: Crônica do Guia do Estado de São Paulo, 19:17:36.
O politicamente incorreto está na moda nos meios de comunicação. (Fora deles, não, pois não pode estar na moda o que nunca caiu em desuso). Colunistas, jornalistas e blogueiros enchem o peito e, como se fossem os paladinos da liberdade de expressão, desancam os movimentos sociais, o feminismo, maio de 68, os quilombolas, os índios e tudo mais que tiver um ar de correção política ou cheire a idéias de esquerda. Tá legal, eu aceito os argumentos, mas não levantem as vozes tanto assim: não há ousadia nenhuma em ser politicamente incorreto no Brasil; aqui, a realidade já o é.
Imagine uma escola religiosa na Dinamarca. Flores nas janelas, cheiro de lavanda no ar, vinte alunos loiros, com cristo no coração e leite A correndo pelas veias, respondendo a uma chamada oral sobre o Pequeno Príncipe. Ali, o garoto que se levantar e cuspir no chão será ousado. Mostrará que a despeito do aroma de lavanda, o ser humano é áspero, é contraditório, é violento. Quando a realidade fica muito Saint-Exupéry, é importante que surjam uns Sex Pistols para equilibrar. Agora, cuspir no chão de uma escola municipal em São Paulo, diante da professora assustada que não consegue fazer com que os alunos, analfabetos aos dez anos, fiquem quietos, não tem nenhuma valentia. Quando a realidade da polis é o caos, o som e a fúria são a correção política.
O sarcasmo dirigido aos intelectuais de esquerda seria audaz e iconoclasta caso o Brasil tivesse vivido de 37 a 45 e de 64 a 85 sob as ditaduras de Antonio Candido e Paulo Freire. Se antropólogos de pochete e índios com camisa do Flamengo estivessem ameaçando o agronegócio, devastando lavouras de soja para plantar urucum e cabaça para fazer berimbau. Se durante o carnaval as feministas pusessem no lugar da Globeleza drops de filosofia com Marilena Chauí e Susan Sontag. Se a guitarra elétrica fosse banida da MPB pela banda de pífanos de Caruaru. Do jeito que as coisas são, contudo, o neoconservadorismo faz sucesso não porque choca a burguesia, ao cuspir no solo de onde brotam seus nobres valores, mas porque assina embaixo da barbárie vigente - e ri dela.
Nos EUA, o politicamente correto está tão entranhado nas relações que eles até o chamam pelo apelido: PC. Aqui, as duas letras ainda nos remetem ao tesoureiro do Collor, o ex-presidente que caiu após escândalos de corrupção e apareceu na capa dos jornais essa semana depois de ser eleito para chefiar uma comissão no senado. Enquanto não substituirmos um PC pelo outro, em nosso imaginário e nas manchetes, quem quiser cuspir no chão pode continuar cuspindo, mas deixe de lado esse tom varonil de quem está pegando touro à unha, quando não faz mais do que chutar cachorro morto.
.......
saiu daqui: http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata
ainda não (amor de colégio)
Verdes de ódio - ainda,
verdes.
de mal-nascer
e já estamos no mundo.
juntos.
mas até
que tudo ia, ia,
quase ia
então, eu, pé, fixa, arraigada, digo, outra vez:
Não.
tu verde - ainda,
consente.
Somos talo
dureza.
E o amor
(- o quê??)
é nuance
é sutil,
soberano nas coisas
que eu tenho
e não vejo.
verdes.
de mal-nascer
e já estamos no mundo.
juntos.
mas até
que tudo ia, ia,
quase ia
então, eu, pé, fixa, arraigada, digo, outra vez:
Não.
tu verde - ainda,
consente.
Somos talo
dureza.
E o amor
(- o quê??)
é nuance
é sutil,
soberano nas coisas
que eu tenho
e não vejo.
20/03/2009
O Corcovado está nebuloso.
Se eu morasse na Áustria estaria nevando.
Mas tenho vontade de ir. Vontade, sorriso.
Atravesso a rua e um ônibus (carioca) passa muito perto.
Acho que levantei um pouco do chão.
Senti embaixo da sola dos pés que a morte está logo aqui.
Mas minha vontade era maior agora, em cada pedaço da minha pele viva.
"(...) Entre o bonde e a árvore
dançai, meus irmãos!
Embora sem música
dançai, meus irmãos!
Os filhos estão nascendo
com tamanha espontaneidade.
Como é maravilhoso o amor
(o amor e outros produtos).
Dançai, meus irmãos!
A morte virá depois
como um sacramento."
(trecho do poema Aurora, de DRUMMOND)
Se eu morasse na Áustria estaria nevando.
Mas tenho vontade de ir. Vontade, sorriso.
Atravesso a rua e um ônibus (carioca) passa muito perto.
Acho que levantei um pouco do chão.
Senti embaixo da sola dos pés que a morte está logo aqui.
Mas minha vontade era maior agora, em cada pedaço da minha pele viva.
"(...) Entre o bonde e a árvore
dançai, meus irmãos!
Embora sem música
dançai, meus irmãos!
Os filhos estão nascendo
com tamanha espontaneidade.
Como é maravilhoso o amor
(o amor e outros produtos).
Dançai, meus irmãos!
A morte virá depois
como um sacramento."
(trecho do poema Aurora, de DRUMMOND)
Soturnos
1. Indo pra lugar nenhum.
Deixa eu me fechar nesse casulo nesse colchão nesse banco dentro do ônibus dentro da minha bolsa em cima da linha do trem.
2. Quero
ir realmente a lugar nenhum, sem porquê, e menos razão ainda.
Menos ainda uma razão, e menos razão do que disponho agora.
3. Nowhere
now.
here.
Deixa eu me fechar nesse casulo nesse colchão nesse banco dentro do ônibus dentro da minha bolsa em cima da linha do trem.
2. Quero
ir realmente a lugar nenhum, sem porquê, e menos razão ainda.
Menos ainda uma razão, e menos razão do que disponho agora.
3. Nowhere
now.
here.
18/03/2009
Paulo Leminsky
"Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos."
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos."
09/03/2009
Atos
De vez em quando a saudade é aquela. Tanta, que nem sei se existe a pessoa de que sinto falta.
Se já existiu.
Parece.
Mas sei que só parece. Apenas.
Parece muito.
É invenção?
Parece tanto.
Parece.
Que. Será que não é mesmo ele?
Se já existiu.
Parece.
Mas sei que só parece. Apenas.
Parece muito.
É invenção?
Parece tanto.
Parece.
Que. Será que não é mesmo ele?
La Nave Va (mas não por conta própria)
Realidade são fatos. Fatos: atos. E atos, criações. Criações são coisas inventadas.
Inventado é aquilo que antes não era realidade.
Inventado é aquilo que antes não era realidade.
28/02/2009
11/02/2009
03/02/2009
Na hora em que toda confusão prossegue, procede (quase quero dizer: persegue, mas somos nós essa confusão). Nessa hora, no meio dela, aqui estamos. Sem almoço, sem fome, sem ânimo, sem sono. Nos vimos, aqui no meio. Um suor grande fadiga esforçada pressão extrema: Susta o tesão.
Aqui estamos, aqui estou. Só sei parar. E sem sentir a hora, doer. Hora sem prazer. Gostei de ter te conhecido.
Aqui estamos, aqui estou. Só sei parar. E sem sentir a hora, doer. Hora sem prazer. Gostei de ter te conhecido.
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