querer juntar dois mundos,
tudo o que não é de um mesmo lugar.
um
amor
dois
amor
uma. amor um.
querer. dois mundos. díspares.
querer um só, que não existe.
17/12/2008
12/12/2008
23/11/2008
04/11/2008
02/11/2008
felicidade gratuita
Amor pela vida, pelo mundo bonito. Alegria, que nem sei bem o que fazer com ela. Talvez a leveza não seja interessante pra se escrever como é a melancolia. Não, eu é que não tô sabendo. Recorro a quem sabe...
"Barato Total
Quando a gente tá contente
tanto faz o quente
tanto faz o frio
tanto faz
que eu me esqueça do meu compromisso
com isso e aquilo que aconteceu há dez minutos atrás
Dez minutos atrás de uma idéia
já dão pra uma teia de aranha crescer
e prender sua vida na cadeia do pensamento
que de um momento pro outro começa a doer
Quando a gente está contente
gente é gente, gato é gato
barata pode ser um barato total
tudo o que você disser deve fazer bem
nada que você comer deve fazer mal
Quando a gente está contente
nem pensar que está contente
nem pensar que está contente a gente quer
Nem pensar a gente quer
a gente quer
a gente quer a gente quer é viver!"
(Gil)
"Não sei dançar
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
— Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?...
Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!"
(Bandeira. Petrópolis, 1925)
"Barato Total
Quando a gente tá contente
tanto faz o quente
tanto faz o frio
tanto faz
que eu me esqueça do meu compromisso
com isso e aquilo que aconteceu há dez minutos atrás
Dez minutos atrás de uma idéia
já dão pra uma teia de aranha crescer
e prender sua vida na cadeia do pensamento
que de um momento pro outro começa a doer
Quando a gente está contente
gente é gente, gato é gato
barata pode ser um barato total
tudo o que você disser deve fazer bem
nada que você comer deve fazer mal
Quando a gente está contente
nem pensar que está contente
nem pensar que está contente a gente quer
Nem pensar a gente quer
a gente quer
a gente quer a gente quer é viver!"
(Gil)
"Não sei dançar
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
— Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?...
Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!"
(Bandeira. Petrópolis, 1925)
30/10/2008
ir er ar (uma viagem...)
"mundo" é verbo: é movimento: isso fica claro qndo se olha pro mar: "mar" é verbo:
17/10/2008
Risco
fico?
saio?
se vier, que venha;
visco (não solta)
arisco (não volta?)
venha,
abrigo desabrigo.
elo atado a porra nenhuma,
abrigo descabido
vem
em praça pública.
desossado, sentido
de muita sensação
se vir, quem vir,
que veja,
"diga que eu fico"
disparate, desinibido
em praça-república.
melancolia alerta, alegria sofrida,
desabrigo desabrigo
mto triste pelo triste
bem feliz pelo feliz
amor é isso?
saio?
se vier, que venha;
visco (não solta)
arisco (não volta?)
venha,
abrigo desabrigo.
elo atado a porra nenhuma,
abrigo descabido
vem
em praça pública.
desossado, sentido
de muita sensação
se vir, quem vir,
que veja,
"diga que eu fico"
disparate, desinibido
em praça-república.
melancolia alerta, alegria sofrida,
desabrigo desabrigo
mto triste pelo triste
bem feliz pelo feliz
amor é isso?
09/10/2008
"sonhei que deu no jornal" (coração rio-sp 3)
Queria tanto que São Paulo e Rio fossem bairros bem diferentes... de uma mesma cidade! (beeem diferentes)

está para acontecer... mas quando será? espero ansiosamente.
Talvez as diferenças culturais sejam tão grandes que houvesse uma intolerância irredutível entre as populações dos bairros. Nas questões mínuimas do dia-a-dia, que são tão importantes... como é que um carioca iria chegar numa padaria e ter que pegar comanda na porta? e depois de responder a um "bom dia", explicar que a sua média é simplesmente um café com leite maior, não é pra botar mais leite no pingado, porra!?...
Como é que um paulista ia pedir um careca pro seu café da manhã?? (talvez a população reivindicasse a construção de muros, no estilo de Berlim...)
E no caso de terminada uma obra de metrô - 40 ou 50 anos depois das cidades serem uma só - então o moço do alto-falante teria que mudar de sotaque a medida que mudassem as estações; pra ser compreendido. "Ao entrarr no tréam, não fiaquea parado na poarrrta" (estação lgo do machado, R arrastado de carioca - escrito em conformidade com a gramáica do carioquês moderno: http://blogdoantonioprata.blogspot.com/2007/10/choque-de-civilizaes.html). "...Na porrrta" (língua enrolada de caipira, estação Aparecida do Sul). Até que: "...na porrrta" (R de língua-tremendo-no-céu-da-boca na estação da Sé). Cheguei!
Era tudo o que eu queria... ir do Beco do Rato ao Filial em 30 minutos e a R$2, 50... tudo o que eu queria!!!
Obs: reparem como a densidade demográfica anda crescendo a olhos vistos!!!


São Paulo Rio - Zé Miguel Wisnik
"Sonhei que deu no jornal que São São Paulo está
coberta de água e de sal
Pela mais branca das ondas de um mar de safira
Não era mentira
e nem carnaval
Também não era milagre, desastre ecológico
nem nada igual
E quando a onda baixou a cidade ficou
Normal
Só que do chão vinha a calma da lama do mangue
Da alga e da estrela do mar
E a maresia acendia uma coisa alegria
Que a espuma da onda espalhou pelo ar
Tamanho banho era um beijo de cheiro e desejo
Em cada pessoa daquele lugar
E nesse dia saiu na primeira edição
de todos os jornais do Brasil:
São Paulo Rio!"
07/10/2008
de um cuspe só (sopetão)
peito pipoca
no quarto da casa
rua fora. mas
rua afora,
tanto faz.
o que quero é viver dentro do mar.
no quarto da casa
rua fora. mas
rua afora,
tanto faz.
o que quero é viver dentro do mar.
melancólico, mas LINDO.
DISSOLUÇÃO
Drummond.
Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.
E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.
Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?
E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.
E aquele agressivo espírito
que o dia carreia consigo,
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.
Vai durar mil anos, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.
Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.
Drummond.
Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.
E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.
Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?
E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.
E aquele agressivo espírito
que o dia carreia consigo,
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.
Vai durar mil anos, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.
Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.
27/09/2008
24/09/2008
coração brega 1 - 14hs
O amor era eu
E de manhã estava aqui
de frente à cama o espelho
- Mas estava aqui sem me avisar.
Eu dormia.
Quando me gritou, enfim,
Já era de tarde
Era tarde
Mas como tarde?
Se agora
Duas horas
Eu me levanto
Se agora
Só agora
é que eu me vi?
E de manhã estava aqui
de frente à cama o espelho
- Mas estava aqui sem me avisar.
Eu dormia.
Quando me gritou, enfim,
Já era de tarde
Era tarde
Mas como tarde?
Se agora
Duas horas
Eu me levanto
Se agora
Só agora
é que eu me vi?
19/09/2008
17/09/2008
16/09/2008
meu coração rio-são paulo 2
sexta, samba em santa teresa.
sábado jazz na cardeal arcoverde.
o quadril de um jeito, as pernas de outro,
danço,
a cabeça 4 por 4,
gira em 13 por 8.
sábado jazz na cardeal arcoverde.
o quadril de um jeito, as pernas de outro,
danço,
a cabeça 4 por 4,
gira em 13 por 8.
11/09/2008
07/09/2008
primeiro rabisco de um conto
São Paulo, 6/9/08.
entro na casa, as paredes são todas pichadas. Não tinha placa nenhuma na porta.
Sigo, e há vários cômodos, todos vazios - sem móvel, sem gente. Mas há uma música alta, que parece ao vivo. Um rock? O som é confuso. Vai ficando mais claro a medida que eu ando. Em cada parede predomina uma cor, laranja, rosa, azul, todas mal definidas, soma das pichações.
Penumbra. No final de um corredor encontro, ainda abaixo de uns dez degraus de escada: uma sala muito cheia, onde as pessoas vêem em pé um show bom de blues.
Desço e vou dançar.
entro na casa, as paredes são todas pichadas. Não tinha placa nenhuma na porta.
Sigo, e há vários cômodos, todos vazios - sem móvel, sem gente. Mas há uma música alta, que parece ao vivo. Um rock? O som é confuso. Vai ficando mais claro a medida que eu ando. Em cada parede predomina uma cor, laranja, rosa, azul, todas mal definidas, soma das pichações.
Penumbra. No final de um corredor encontro, ainda abaixo de uns dez degraus de escada: uma sala muito cheia, onde as pessoas vêem em pé um show bom de blues.
Desço e vou dançar.
05/09/2008
mesa do restaurante árabe
Espero o tempo passar debruçada na janela de um livro. Kerouack.
Continuo fugindo do Carlos. É bom.
Vou pra casa depois, e ligo pro Antonio pra falar com a Andréia. Desculpa ligar assim, e tal, é o que terei de falar. A vida pulsa, acontece, mas lá fora. Aqui, ela acontece, mas não pulsa. Cintila, isso faz, mas pra dentro. Só dentro de mim.
E eu louca pra chegar logo na cidade provinciana onde - pelo menos! - há uma praça cheia de gente (e caos, hj que é 5a) e cerveja; grande chance de estar lá um povo que eu gosto.
Existe o choro preso, famoso, e existe também o sorriso preso.
Antes, quero passar em casa pra recarregar a energia que as ruas me ativam e demandam. Hoje uma desconhecida salvou meu humor. Como eu odeio e amo o Rio de Janeiro!
Vou logo encarar o engarrafamento e sair dessa loja árabe asséptica e vazia.
A Arábia real - mágica - não é logo ali... Então vou atrás de um samba bom.
Continuo fugindo do Carlos. É bom.
Vou pra casa depois, e ligo pro Antonio pra falar com a Andréia. Desculpa ligar assim, e tal, é o que terei de falar. A vida pulsa, acontece, mas lá fora. Aqui, ela acontece, mas não pulsa. Cintila, isso faz, mas pra dentro. Só dentro de mim.
E eu louca pra chegar logo na cidade provinciana onde - pelo menos! - há uma praça cheia de gente (e caos, hj que é 5a) e cerveja; grande chance de estar lá um povo que eu gosto.
Existe o choro preso, famoso, e existe também o sorriso preso.
Antes, quero passar em casa pra recarregar a energia que as ruas me ativam e demandam. Hoje uma desconhecida salvou meu humor. Como eu odeio e amo o Rio de Janeiro!
Vou logo encarar o engarrafamento e sair dessa loja árabe asséptica e vazia.
A Arábia real - mágica - não é logo ali... Então vou atrás de um samba bom.
26/08/2008
viagem ajardinada
(1)
me enlagarto pra poder alavancar.
minhóco, minhóco, e então alcanço vôo.
canso, preá topeira, descanso borboleta.
e venço, rotina deserta. só sinto algo se tô longe do páreo. cara no vento.
(2)
amar os meus - amar os eus,
pra desenraizar.
(3)
partir livre é fixar
na vida, em vão e linda. vou de libélua, vou de bem-te-vi.
vôo de lobo guará.
as quatro patas rapinas num céu grandão.
me enlagarto pra poder alavancar.
minhóco, minhóco, e então alcanço vôo.
canso, preá topeira, descanso borboleta.
e venço, rotina deserta. só sinto algo se tô longe do páreo. cara no vento.
(2)
amar os meus - amar os eus,
pra desenraizar.
(3)
partir livre é fixar
na vida, em vão e linda. vou de libélua, vou de bem-te-vi.
vôo de lobo guará.
as quatro patas rapinas num céu grandão.
música do noel
adorei essa música, resolvi postar a letra dela aqui:
"você, por exemplo" (noel rosa, 1933)
Há muita gente que apesar do pincinê
Passa por nós, dá esbarrão e não nos vê
Anda depressa mas vai sempre com atraso
Você, por exemplo, você por exemplo, está neste caso.
Quanto barbado que não paga engraxate
Muda de casa e deixa mudo o alfaiate
Quanto barbado que jejua mais que o Gandhy
Você, por exemplo, você por exemplo, não tem barba grande.
Há muitas santas no mundo que vivem fora do templo
Santas de olhar bem profundo
Você, por exemplo, você, por exemplo
Quanta menina por ouvir no telefone
Uma voz grossa feito solo de trombone
Pega o automóvel vai parar não sei aonde
Você, por exemplo, você por exemplo, não anda de bonde.
E muita gente que só sabe dar palpite
Que tem cabeça mas já teve meningite
E tanta gente vive bem sem um pulmão
Você, por exemplo, você por exemplo, não tem coração.
dá pra escutar ela nesse link: (dê pause pra esperar carregar...) http://www.mp3tube.net/br/musics/Almirante-Voce-Por-Exemplo/173856/
"você, por exemplo" (noel rosa, 1933)
Há muita gente que apesar do pincinê
Passa por nós, dá esbarrão e não nos vê
Anda depressa mas vai sempre com atraso
Você, por exemplo, você por exemplo, está neste caso.
Quanto barbado que não paga engraxate
Muda de casa e deixa mudo o alfaiate
Quanto barbado que jejua mais que o Gandhy
Você, por exemplo, você por exemplo, não tem barba grande.
Há muitas santas no mundo que vivem fora do templo
Santas de olhar bem profundo
Você, por exemplo, você, por exemplo
Quanta menina por ouvir no telefone
Uma voz grossa feito solo de trombone
Pega o automóvel vai parar não sei aonde
Você, por exemplo, você por exemplo, não anda de bonde.
E muita gente que só sabe dar palpite
Que tem cabeça mas já teve meningite
E tanta gente vive bem sem um pulmão
Você, por exemplo, você por exemplo, não tem coração.
dá pra escutar ela nesse link: (dê pause pra esperar carregar...) http://www.mp3tube.net/br/musics/Almirante-Voce-Por-Exemplo/173856/
loucubrações livres
domingo de manhã.
(a madrugada e a manhã são imperdíveis, infelizmente é preciso dormir à tarde).
mas q também é prática gostosa.
contanto que se tenha vontade de acordar.
contanto que a vontade exista por motivo pulsante - um não, vários (e onde é que eles se separam?). Vontade é vontade de tudo.
é acordar e tomar o café - o mais saboroso q há, todo dia - e ouvir uma música à tarde, esperando a noite q vai vir, boa, mesmo que se tenha algum trabalho pra fazer nesse meio tempo. Entre-safra.
Viver, sobreviver é se esforçar, se nada é natural pro homem. Se nenhum ritual dessacraliza hoje o ato do trabalho.
...Ritual deixa o sagrado tranquilo, leve, comum... O trabalho não. Sagrado e sacal. Gente esforçada e só, todos sós cada um em seu martírio, mas sem revolta, pq a obrigação é geral. Sempre teve que se comer. Há muito que se precisa de dinheiro. E há muito que o trabalho é um tédio compulsório, sem emoção?
Tem que se comer.
E o domingo amanhece bonito de verdade.
Durante a semana, também há prazeres.
Há prazer na beleza, beleza no céu.
o prazer é hábito que se espalha tanto quanto a crueldade. ou mais.
e a vontade de quem acorda pode ser a de tomar um banho e colocar um som pra acompanhar o banho.
ir à praia é vontade plena e prazer pleno. Orgasmo do hábito.
como ver o sol nascer e se pôr. e olha q o chavão tem suas razões de ser... se todo dia fossem vistos nascer e pôr... daí o prazer é normal, a vida é inquestionável. Que o prazer é vida. (...o suicídio, o limite do questionamento, antecipa a única coisa que é certeza e o gostoso é mesmo inexplicável.)
mas que saco que dê vontade de escrever sobre isso, as coisas mais básicas do prazer. se fosse óbvio em toda rotina, ritual, ordinário, eu (qualquer um) não teria vontade de escrever sobre isso.
criaria outras coisas mais bonitas mais vivas.
(a madrugada e a manhã são imperdíveis, infelizmente é preciso dormir à tarde).
mas q também é prática gostosa.
contanto que se tenha vontade de acordar.
contanto que a vontade exista por motivo pulsante - um não, vários (e onde é que eles se separam?). Vontade é vontade de tudo.
é acordar e tomar o café - o mais saboroso q há, todo dia - e ouvir uma música à tarde, esperando a noite q vai vir, boa, mesmo que se tenha algum trabalho pra fazer nesse meio tempo. Entre-safra.
Viver, sobreviver é se esforçar, se nada é natural pro homem. Se nenhum ritual dessacraliza hoje o ato do trabalho.
...Ritual deixa o sagrado tranquilo, leve, comum... O trabalho não. Sagrado e sacal. Gente esforçada e só, todos sós cada um em seu martírio, mas sem revolta, pq a obrigação é geral. Sempre teve que se comer. Há muito que se precisa de dinheiro. E há muito que o trabalho é um tédio compulsório, sem emoção?
Tem que se comer.
E o domingo amanhece bonito de verdade.
Durante a semana, também há prazeres.
Há prazer na beleza, beleza no céu.
o prazer é hábito que se espalha tanto quanto a crueldade. ou mais.
e a vontade de quem acorda pode ser a de tomar um banho e colocar um som pra acompanhar o banho.
ir à praia é vontade plena e prazer pleno. Orgasmo do hábito.
como ver o sol nascer e se pôr. e olha q o chavão tem suas razões de ser... se todo dia fossem vistos nascer e pôr... daí o prazer é normal, a vida é inquestionável. Que o prazer é vida. (...o suicídio, o limite do questionamento, antecipa a única coisa que é certeza e o gostoso é mesmo inexplicável.)
mas que saco que dê vontade de escrever sobre isso, as coisas mais básicas do prazer. se fosse óbvio em toda rotina, ritual, ordinário, eu (qualquer um) não teria vontade de escrever sobre isso.
criaria outras coisas mais bonitas mais vivas.
22/08/2008
19/08/2008
carta de alguma garota pra alguém
E aí, como é que vai essa vida malvada? É bonita sim, mas é malvada também, isso é.
Como que vai?
Como??
Um sono me capota os olhos, mas um desejo que não me dorme o pulmão arfa arfa.
Ela chegou e achou tudo sem graça de mais. Tudo do que foi, eu digo, do que passou na noite. É ela quem diz, pensa assim. O que aconteceu não teve graça não, e desse jeito sai um pouco da graça do que virá. Do que se espera vir. Noite banal. Bar, conversa, porra nenhuma.
E depois fumou um cigarro pensando como é comum essa atitude e quantos sentimentos parecidos de gente, tanta gente, acontecem na hora do cigarro - tão intensos cada um, cada mundinho - e vem o cigarro nessa hora, uma necessidade comum. Gostou de compartilhar.
Quantas vidas são esse universo de sensação e cigarro.
São muitas.
Quanto sentimento cabe num peito isolado restringido exilado. só, sozinho.
Quantos exilados somos.
Bom dizer assim, ela pensou: somos.
Depois foi bater o ponto, em sonho, porque sonhou com a empresa onde trabalha e que irá no dia seguinte.
Quantos cigarros nas janelas das cidades, na vida, à noite.
Como fervilham as idéias isoladas. Como ferve uma cabeça só. Ferve. Como só.
Como que vai?
Como??
Um sono me capota os olhos, mas um desejo que não me dorme o pulmão arfa arfa.
Ela chegou e achou tudo sem graça de mais. Tudo do que foi, eu digo, do que passou na noite. É ela quem diz, pensa assim. O que aconteceu não teve graça não, e desse jeito sai um pouco da graça do que virá. Do que se espera vir. Noite banal. Bar, conversa, porra nenhuma.
E depois fumou um cigarro pensando como é comum essa atitude e quantos sentimentos parecidos de gente, tanta gente, acontecem na hora do cigarro - tão intensos cada um, cada mundinho - e vem o cigarro nessa hora, uma necessidade comum. Gostou de compartilhar.
Quantas vidas são esse universo de sensação e cigarro.
São muitas.
Quanto sentimento cabe num peito isolado restringido exilado. só, sozinho.
Quantos exilados somos.
Bom dizer assim, ela pensou: somos.
Depois foi bater o ponto, em sonho, porque sonhou com a empresa onde trabalha e que irá no dia seguinte.
Quantos cigarros nas janelas das cidades, na vida, à noite.
Como fervilham as idéias isoladas. Como ferve uma cabeça só. Ferve. Como só.
14/08/2008
09/08/2008
- - -
gosto da paz.
rara, a paz.
dá num intervalo estranho, vem inesperada. entre um ônbus e outro, depois da fumaça, quando acaba o engarrafamento. antes do jantar.
num dia bobo de 2a feira, numa sala igual a sempre.
chega numa nota da Clara Nunes. chega depois do caos. antes do caos que virá.
apenas vem, existe em mim, e só.
rara, a paz.
dá num intervalo estranho, vem inesperada. entre um ônbus e outro, depois da fumaça, quando acaba o engarrafamento. antes do jantar.
num dia bobo de 2a feira, numa sala igual a sempre.
chega numa nota da Clara Nunes. chega depois do caos. antes do caos que virá.
apenas vem, existe em mim, e só.
.
meu coração rio-sp
se estende pelo Vale todo.
- não que isso seja bonito.
coração estirado na dutra,
arregaçado, (e ainda se espeta na serra).
bom que ao menos ele aumenta um pouco.
se estende pelo Vale todo.
- não que isso seja bonito.
coração estirado na dutra,
arregaçado, (e ainda se espeta na serra).
bom que ao menos ele aumenta um pouco.
da janela, tudo o que passa é cotidiano
Todo dia esse cara passa, com uma mochila enorme. Negro e moleque; belo, mas presunçoso. Chega pelo mesmo lado com a mesma expressão. Queixo bem erguido. Lento a passos largos, olhos baixos e a sobrancelha alta.
É um bar onde ele pára e entra pro trabalho.
Dali vai sair às 19hs pra tomar uma cachaça num lugar mais barato.
No restaurante onde estou:
Chega um grupo na mesa do lado. Quatro mulheres e um homem mais velho.
A mais nova: - ô moço, garçom... liga a televisão, hein? não gosto de ficar em silêncio.
- vamos conversar, ué! - O cara.
Mas as pernas tremem:
- não... eu gosto de um som, assim, atrás. - Gesticula em volta das orelhas.
RJ TV.
É um bar onde ele pára e entra pro trabalho.
Dali vai sair às 19hs pra tomar uma cachaça num lugar mais barato.
No restaurante onde estou:
Chega um grupo na mesa do lado. Quatro mulheres e um homem mais velho.
A mais nova: - ô moço, garçom... liga a televisão, hein? não gosto de ficar em silêncio.
- vamos conversar, ué! - O cara.
Mas as pernas tremem:
- não... eu gosto de um som, assim, atrás. - Gesticula em volta das orelhas.
RJ TV.
colo e colo
colo
colo quieto.
fecha o olho,
recosta,
aquece,
esquece.
colo
colo víscera.
sangue, quentura
abre o olho
fusão
gosmenta,
recepção.
neste colo, também,
o aconchego
colo quieto.
fecha o olho,
recosta,
aquece,
esquece.
colo
colo víscera.
sangue, quentura
abre o olho
fusão
gosmenta,
recepção.
neste colo, também,
o aconchego
"iemanjá, só se vê mar...!"
meu fluido vital corre por fora das veias
e circunda todo o corpo
se eu mergulho no mar.
e circunda todo o corpo
se eu mergulho no mar.
pouso da cajaíba, 22.04.08 (casa da Dione)
Filho e nora não parecem felizes como a Dione. paulistanos, classe média, vaga de emprego, concorrência na empresa.
vida dura, dura, muro de cimento, realidade numa placa de compensado.
Mas aqui em Pouso o céu bocona aberta escancarada de estrelas, é céu preto aberto pra todo mundo.
vida dura, dura, muro de cimento, realidade numa placa de compensado.
Mas aqui em Pouso o céu bocona aberta escancarada de estrelas, é céu preto aberto pra todo mundo.
07/08/2008
prazer umbigo
umbigo é o símbolo do egocêntrico, pq é como se ele tivesse um cordão umbilical, pra dentro.
por ali é que ele come, dele pra ele mesmo, sempre o mesmo sabor.
por ali é que ele come, dele pra ele mesmo, sempre o mesmo sabor.
dúvida
uma cidade ali no meio do sol.
bem no meio do pasto.
e nenhuma outra cidade em volta.
(como as pessoas escolhem onde vão morar?)
queria saber eu mesma.
bem no meio do pasto.
e nenhuma outra cidade em volta.
(como as pessoas escolhem onde vão morar?)
queria saber eu mesma.
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