25/09/2010
22/09/2010
Guerra física.
mas a alegria não cabe num corpo só.
São estados díspares.
A solidão é sólida,
a alegria é gás hélio.
Vivo alegre e em guerra.
18/09/2010
Literal
Afundei no livro como se ele fosse
um elixir,
como se salvasse,
como sexo em que
depois do 3o ato,
o amor revirginasse.
06/09/2010
23/08/2010
18/08/2010
13/08/2010
Divulgations

BLERG! Regurgitações - textos escarrados, escritos de uma vez só.
www.bler-g.blogspot.com
09/08/2010
Esperar
É realmente uma arte, de técnica intuitiva.
Escorei-me numa parede velha e escrevi a ver se passava - aquilo que passou. Tempo passa e eu me sinto mais bonita que é do jeito que ele deve me encontrar, se é que me enxergará. Nessa parede menos velha do que eu.
Dia claro e batuques, Paraty pulsa - eu também, mar do Drummond que bate em todos nós (não no cais). Não sei não escrever. Não não. Sei negar. E fazer.
Meu celular desliga de repente sem avisar, eu passo - ando - vou atrás do que sei pouco e por isso quero ir e saber.
Fico, aguardo, coração espera até onde consegue e mais além. Pois vai.
Antes de quebrar, segue. E talvez sempre.
Telefone vai dizer: "Venha cá."
Todo o tempo fica em cada pessoa. Concentrações.
Mas esse homem cadê?
Virá na mais-espera, mais-aguardo. Ali onde o coração consegue.
E sempre conseguirá.
04/08/2010
01/08/2010
Nó
quando vesti a corrente que ela me deu, cheia de piedade, a corrente tinha um nó.
depois,
Por acaso, olhei a corrente.
Sozinha, desatou.
Sozinha. Soltou o nó dessa história.
26/07/2010
é um chão firme.
Mas entre os grãos dessa terra
se forma
uma colmeia
onde zumbem
os voos, viagens,
os muitos olhares de João.
Ele é surto.
e também rotina.
Abriga minha paixão,
abriga minha guerra.
Força bruta crua.
Pensamento,
braço – barba – uma risada,
cara lunática.
muita estrada.
João está
onde eu vá.
Por toda a minha pele.
23/07/2010
18/07/2010
Será
que vou
sendo
só porque
indo, me
vendo,
vou
e acho que
tudo é
espelho
quebrado:
vidro
cortante,
muito à sério,
muito a mais
do que
de fato
vejo que
será.
12/07/2010
Poema que corre
sol, dia
e a avenida
que tem travessas,
todas as travessas, todas
as esquinas
possíveis
e eu paro; e movo,
todo lugar é provável,
bonito
e em toda esquina
há sinal, gente:
movimento,
todas as ruas me levariam
para muitos lugares
distintos,
que confluem,
desembocam
em uma mesma respiração forte,
olhos apetecidos,
em um mesmo peito deslumbrado.
Todos os caminhos cabem em mim,
como em qualquer um,
cabem ao mesmo tempo -
todos -
e estão dentro:
convergem
a um só ponto.
A uma só pessoa.
11/07/2010
08/07/2010
Relembrança
muitas vidas passam ali,
nenhuma fica.
Vida alguma
dentro e fora de mim.
Exceto pelo sol
que me queima na rua
e que - corpo marcado -
me queimou
à noite inteira.
30/06/2010
27/06/2010
18/06/2010
Vômito
não quero, minha cara,
o dever.
Não quero o murro,
o corte,
a tua ajuda
que estrangula você.
17/06/2010
15/06/2010
12/06/2010
07/06/2010
de possibilidade pra frente que se
põe pros outros, pro mundo solto e que busca um prumo, o amor é esse meu rumo pra
olhar pro que desejo
é meu sexo só, é meu pedaço é meu ímpeto lampejo, é meu ver um fim.
esse amor é tudo o que pedi, pra, sem te ter, passar a ter a mim.
06/06/2010
Embarque e desembarque
ficar
Não, o que quero
é criar
raiz
em algum lugar
desse tempo todo",
Pensava, querendo ser
grande,
ter trampo ter
casa,
pensava sem chão.
Até que alguém me deu uma trombada,
e eu acordei
no limbo do sagão de espera.
Espera e vai,
que vem.
05/06/2010
29/05/2010
28/05/2010
Vou.
Rastejo.
Pingo
nessa lua.
Um café nas veias coração
pra acordar minha água,
mesma rua,
fresco
o desejo
e minha
cara, carne
crua
sangrando
e de gatinhas
quatro
mas, na verdade,
aos saltos:
doidos
enrubescidos
de
(você
- cobra peçonhenta)
de
(Passar já sem alma: sem honra)
de
(nessa rica ginga fria)
de te
(absurdo
horror
de homem)
de
simplesmente
te querer.
Dicionário das palavras sem nome
verbo que só existe no gerúndio
(verbo-estado-involuntário, e não verbo-ação)
1.estado vegetativo da alma
2.tempo de criações esquizofrênicas
3.paródia infame do nome da banda Premê
4.tempo de chorar
5.tempo pra amar
6.vontade de defenestrar
7.e voar
8.buraco negro localizado dentro do peito humano
9.alternativas infinitas, por ter qualquer significado
10.ser humano que é tudo então não é ser humano
11.sofrimento
12.desindividuação
Desindividuação:
s. f.
1.ação de não agir
2.ser e não sentir
3.sentir tudo e não ser
4.corpo que é só pele
5.tristeza
6.medo ou revolta
(tente marcar a alterntiva correta,
mas todas são reais e fictícias.)
tu bi continued.
27/05/2010
25/05/2010
24/05/2010
23/05/2010
Contra a Culpa
(Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado; )
Ó Mestre,
Fazei com que eu procure mais
errar
que ser errado.
22/05/2010
21/05/2010
20/05/2010
mas naufraga
meu amor não basta
por si só, meu amor chega
na cama e se larga
dorme
meu amor
enorme
fica
aqui
boiando só.
Mas é amor, é assim
do jeito que a gente
não espera
é guerra
fria
vez em quando
mas é guerra
de vida
sem morte
vida vivida, é guerra pronta
bandida
é guerra
que eu vou aprontar
se meu amor não me der esse beijo
que não vai dar
é meu exótico e
por isso mesmo
mais exótico que
eu não sei porque amo
mas se ele for embora
o meu amor,
não sei
onde
eu iria me afogar.
14/05/2010
novíssimos testamentos
só ela salta e me pega pelo tornozelo
quando a cidade me invade
pelo buraco do ar condicionado
só a posia salva
quem vai se atirar
só ela salva meu espanto
desalento
onde a letra vida vem e põe magia e pega
quem já vai já vou caindo pelo buraco frio
do ar condicionado
onde mora a gelidez,
o desencanto.
04/05/2010
Você por si só
pra ver
no que dava.
Deu.
Meu mundo por ora
é o melhor passo.
(quanto melhor for eu no mundo.)
Tanto melhor
quanto mais ao lado
meu
seu mundo for dar
passo.
Afora
ou adentro
de ver eu no mundo em que passo.
02/05/2010
Partitura
quero te quero te quero te quero te
calo te calo te calo te calo?
que espero que espero que espero que espero que
só
te ame te ame te ame te ame te
como
bem
como
assim
como te amo te amo te amo te
amo te.
28/04/2010
O que posso
a minha velha
velha boa:
sorriso e Cecília.
À minha vó
tudo a ela
o que posso
apenas.
Pouco choro, muito amor e uma vela:
todo dia.
27/04/2010
alegre
belo
lindos olhos
voltou.
Voltou primo
pé no chão
mão na mão
pé com pé
do mesmo
sapato
calço-família.
A vó foi.
O primo
voltou
homem
voltou.
Mulher?
mas
como?
eu
não
eu
talvez
eu
sou
Mas pra primo
nada mais chato
óbvio
nada
mais
reconfortante.
Eu não sou Ana
não sou olhos boca
não sou.
E nem seios
nem beiço.
Ô primo.
Sou só
família
menos
língua
sou tátil
sempre frágil,
menina
sou prima
e
sempre
e pra mim
mesma
anos luz atrás
e a frente,
anos nós.
Aqui
o
clã
únicos
coração.
Voilá:
o primo
voilá:
eu voltei.
19/04/2010
16/04/2010
Fogo n´água suja
o cheiro molhado basta já.
Castra a vontade
uma mágoa encandecida.
Desejo que não bate
mas fica:
fumaça da água fria numa panela quente
ou de fósforo
ou guimba
que se apaga no vaso sanitário.
14/04/2010
13/04/2010
na curva
fora de tudo,
longe de você,
perto do teu desejo.
Eu vou
se você não for
mas se for
relembre
que eu estou aqui
até encontrar
um lugar em que você não esteja
e aí,
aí sim,
ficaremos juntos.
07/04/2010
05/04/2010
04/04/2010
coisas que eu penso quando sinto a vida parada
03/04/2010
pra secar esse poço de raiva
incessante
Jorra feito água
feito raiva
e é claro
feito razão
Feito que está arraigado
feito que me faz,
que me refez
desde quando eu me engoli:
meu modo, minha vontade
Como gota que não cessa
gota constante
gota
que se espalha sem limites
Carcaça que atravanca:
me arranca
porque me rói
e já nem dói
apenas me move,
me abre e atiça,
eme joga ao ar
nessa pirambeira também espinhosa.
A raiva passa
quando vira SOCO,
isto é,
quando vira um salto
dessa minha vida,
que é como o pensamento,
pra quaisquer melhorer dias
que são como:
dia-a-dia
explosiva,
a minha ação.
01/04/2010
Aliteração
ou partir pruma viagem só
no mesmo lugar de enlouquecer?
transloucar partido,
ou viajar, uma via móvel?
não sabia.
nunca soube.
se essa calma é um silencio paz
ou se essa paz é um descuido morte
historinha de Mestre/discípulo...
(adaptada)
- Parece que têm dois lobos dentro de mim, brigando... Eles querem coisas opostas... Como vou saber qual deles sou eu realmente?
- Você é o mais forte, o que vencer a briga.
- Mas qual lobo vai vencer?
- Aquele que você alimentar."
27/03/2010
26/03/2010
"Vida", Chico Buarque - é isso.
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
http://www.youtube.com/watch?v=BoEY6TXcgR4
25/03/2010
viververia
24/03/2010
Saciar
Eu poderia escrever pela vida inteira,
preencher com palavra
todos os espaços
vazios.
Dobras,
nervuras,
interstícios,
ligamentos.
Mas aí faltaria melodia.
E então, música:
movimento, dois acordes,
um compasso diário.
Faltaria amor
...e eu seguiria com o cavalheiro,
lhe concedendo a honra de dançar uma valsa.
Rodopiaria pelo salão,
num vestido imenso
brega, azul.
E aí me faltaria a palavra.
música
passos largos
a melodia é meu corpo todo - curvas e culotes no espaço.
e os tijolos do chão são a base quadrada 4 por 4
dessa harmonia esquisita.
cal
todos os meus órgãos estão brancos
e talvez vazios
teu amor faria quadros lindos
na minha tela lisa.
22/03/2010
Expressão
Depois de dizer que eu te amo,
olhei meu rosto no espelho e, pela primeira vez depois de muitos anos,
me reconheci.
Óculos escuros
Pra me fechar um pouco.
Suturar esse tosco coração
primitivo e torto.
Errado.
O sol na cara é luz demais.
Meu peito é fraco e tonto.
Zonzo. Tanta beleza não cabe no que quero.
O que quero é pouco, fraco, parco.
Preciso fechar meus olhos pra não querer
- tão aberta -
pra não querer tanto
coisas tão rasas.
Por que não sei escrever quando estou contente.
A tristeza é lenta,
O prazer é ágil.
(claro que nem toda a rapidez é feliz).
O prazer é do corpo, é sede que move,
é a sede e a satisfação juntas.
A dor caminha.
Mas aceita - e quase goza um gozo sofrido -
quando pára
e se debruça sobre uma folha de papel.
Folha leve,
tempo lento.
Tudo escorre,
se esparrama.
A dor escoa
no ritmo que quiser.
(batidas na cadência de um jazz
e baquetas raspam na caixa,
caem junto com o compasso)
Já a alegria,
explode.
E não me deixa continuar aqui sentada.
18/03/2010
como vai? (rabisco)
como seria possível?
como?
só me pergunto isso.
o meu desejo não cala,
a doença é a vida no corpo que não cala.
que vira bicho.
como?
mas como, como???
mas não sei.
mas não sei mesmo.
mas, sozinha, não sei.
e eu sei que.
tenho ate medo de dizer.
e.
agora, como?
já matei tudo o que me fazia bem, então quero morrer.
isso não é coisa que se poste, que se bote, coloque, deixe verem.
isso não é.
isso sou eu exposta, tão rasa, tão pouca.
tão só o que sinto.
tão só.
é pouco.
é pó.
eu vivo.
mas só da pele pra fora.
eu não tenho dento de mim.
eu não sei como ir.
17/03/2010
15/03/2010
14/03/2010
13/03/2010
12/03/2010
Bafo Quente
Eu me arranquei.
Todos os berros berraram
pra dentro de mim
corrosivos.
Agora tenho vontade de esmurrar,
de dar porrada,
muita porrada.
Onde???
Só posso
na minha própria raiva???
Um grito me arrancou da cama.
Todos os gritos,
berros,
gritaram.
Estive dentro de um baú
escuro,
embaixo de alguém
a quem já amei.
Tomando,
me mordendo, engolindo,
chupando,
tomando.
E agora
a quem posso dar porrada,
onde,
senão contra minha raiva,
contra mim?
Mas
quem é que me
subordina,
subjulga,
submete,
esmiuça,
esfacela,
emudece,
diminui,
Quem, senão
eu mesma?
A INSURGÊNCIA
É URGENTE
contra
nenhuma outra pessoa
mas
apenas
eu.
11/03/2010
10/03/2010
06/03/2010
05/03/2010
coisas e afins
reviravoltas mecânicas
a casa cheia
nessa vida que não há nada.
adjetos
abstratos
insolentes
indigestos
objetos
obsoletos
inconstantes
incompletos
e essa fome de quê?
do que
aqui
não há.
04/03/2010
Escapatória
(traduzi livremente)
Quase pensei dormindo,
quase sonhei no pó,
na chuva do sonho.
Senti os dentes velhos
ao dormir, talvez
pouco a pouco vou
me transformando em cavalo.
Senti o cheiro do pasto
duro, de cordilheiras,
e galopei até a água,
até as quatro pontas
tempestuosas do vento.
É bom ser cavalo
solto na luz de Junho
perto de Selva Negra
onde correm os rios
escavando espessura:
o ar penteia ali
as asas do cavalo
e circula no sangue
a língua da folhagem.
Galopei aquela noite
sem fim, sem pátria, sozinho,
pisando barro e trigo,
sonhos e mananciais.
Deixei atrás como séculos
os bosques enrugados,
as árvores que falavam,
as capitais verdes,
as famílias do solo.
Voltei das minhas regiões,
voltei a não sonhar
pelas ruas, a ser
esse viajante opaco,
das barbearias,
este eu com sapatos,
com fome, com óculos,
que não sabe de onde
voltou, que se perdeu,
que se levanta sem
pampas pela manhã,
que vai se deitar sem olhos,
para sonhar sem chuva.
Apenas se descuidem
eu vou para Renaico.
laço do sapato frouxo
calço frouxo, e tá solto o cadarço
o sapato é frouxo
o palhaço é macho
macho pacas, macho pra
levar sarro, escracho,
macho pra sentir na pele o que o outro passa
e que passa pro lado
pra não sentir na pele
o palhaço não repele
engole, inventa, devolve,
deglute, degusta,
o palhaço busca
sem saber o que vai achar
e o palhaço acha
e descobre, gargalha,
e ri
o palhaço tropeça
espatifa e não racha.
o palhaço é graça.
03/03/2010
01/03/2010
Atmosfera
Agora
escorre vento pela testa
beija a mão.
Agora
beijo antes
o homem de quem me despedi,
beijo a boca com que me despi.
Escorrega o vento
agora.
Como sal,
lambo a nuvem - mas só a olho e nada mais.
E subo muito rápido
e beijo inteiro
engulo
parte por vez,
mais tarde,
todo esse ar.
de Mauá para o Rio
manhã que não estou lá.
amo um amor
que veio comigo e chegou até alguém
aqui.
amo um amor de montanhas, de rios, de espera. de silêncio.
que nesta cidade não há.
que está em mim
guardado
está parado em mim.
a neblina, a extensão, montanhas enormes
e a saudade
são o amor que eu amo.
19/02/2010
Ceciliana
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
"Motivo", Cecília Meireles.
08/02/2010
inversão
minha enorme vontade de viver.
assim,
um "mal secreto"
e um bem incompleto,
já existo.
ponto.
07/02/2010
Memória
Parece que não minto
e meus cílios estão colados.
Minha sonolência parece minha boca fechada.
O desgosto sob a língua
e nunca mais vou ver ninguém.
Parece uma lembrança que não vem
mas não se desagarra de mim.
Não vivo porque não vivo o que acontece lá embaixo na rua.
Não vivo agora.
Eu nunca vivo hoje.
05/02/2010
22/01/2010
Corto.
Abrupto
Fujo da chuva,
fujo para a chuva que me cai,
que caio,
caio em mim.
Corro na chuva.
Fujo
do que
atravanca.
Corro,
caio na zebra, na boca do lobo.
Escorrego pelo limo
mais baixo
do que eu já me vi.
E subo as escadas muito em pé
para parar de romper
para cerzir, coser,
refazer
Corro, fujo
saio do mundo
e aniquilo o rumo.
Rasgo fundo,
E aí sei continuar.
19/01/2010
Não é viola, ô estúpida, é uma caneta.
Anoto.
Finjo ser triste.
Anoto.
Perco a ideia.
Entristeço.
Penso que não vale mais a pena.
Penso que não sinto mais nada.
Não vivo.
E aí,
e a vontade?
Isso que imagino,
isso é desejo ou é hipótese?
Tanto faz,
foda-se,
Vida é carga que se recarrega.
13/01/2010
Pílula pro coração
montanha
ou muro
Neve
neblina
ou jato de carro-pipa
(quem sabe até
fumaça de caminhão)
Qualquer paisagem
bucólica, urbanólica,
dentro desse lixo abafado de uma gente zumbi que buzina, desesperada sofre, grita, cria: derrames, convulsões, enfartos cardíacos.
11/01/2010
Carlos Drumond de Andrade
para o Fabricio.
"O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar."
09/01/2010
Noite que eu não durmo
rompição de laçarote.
Rompimento dos nervos axiais. Axiomáticos.
Ligadura do que não sai do jeito que eu quero porque não é do jeito que eu quero.
O que não É
e não pode ser.
Enervamento dos calos das unhas do meu pezão. Meus cabelos. Irrigação.
E esse homem que eu amo que eu amo que eu amo.
Eu espero você chegar em casa e no meu coração tem formiga.
Mas eu espero.
Isso é amor.
Isso é amor e eu tenho tanto medo. Tanto medo de destruir.
Me sinto capaz.
Destruir.
Só me sinto capaz de destruir.
E no entanto
por ora
apenas sinto que no meu peito na minha caixa toráxica tem formiga.
......
Eu espero.
Eu quebro meus ossos nessa espera,
trituro.
Até sangrar pelo dedinho e sentir a fome funda do oco do estômago ao topo da cabeça.